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“A Cultura é instrumento de integração de diversidades” “A Cultura é instrumento de integração de diversidades”
Leia abaixo a íntegra do discurso de posse do ministro da Cultura, Roberto Freire, proferido nesta quarta-feira (23) em cerimônia no Palácio do Planalto,... “A Cultura é instrumento de integração de diversidades”
Leia abaixo a íntegra do discurso de posse do ministro da Cultura, Roberto Freire, proferido nesta quarta-feira (23) em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília.
Excelentíssimo senhor presidente Michel Temer
Excelentíssimos senhoras e senhores ministros
Excelentíssimos senhoras e senhores parlamentares
Senhoras e senhores,
Vivemos em um tempo marcado por processos antagônicos que ampliam os desafios que a humanidade enfrenta. De um lado, o processo objetivo de globalização de pessoas e capitais impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico que modificou a própria estrutura de produção de manufaturas e serviços, buscando a integração incessante de países e culturas. De outro, o impulso à regressão de um nacionalismo cada vez mais excludente, com seu rosário de preconceitos e intolerâncias, marcando uma posição com perigosas características xenófobas e avessas aos processos de integração em curso.
Nesse cenário, a Cultura assume novas dimensões, para além dos hábitos, crenças e costumes comuns compartilhados e transmitidos por uma língua específica. Enquanto para alguns a Cultura é simples elemento de afirmação da diferença, para nós, é instrumento de integração de diversidades, em função de um humanismo que busca excluir a noção de “estrangeiro”, já que nenhum ser humano é estranho ao outro. Sendo assim, acreditamos que a criação cultural no seu mais amplo sentido e como maior expressão do humano poderá nos ajudar a atravessar essa névoa da mudança.
Nosso país é exemplo vivo desse processo de integração de etnias e culturas, as mais variadas, que marcam nossa especificidade enquanto Nação. Em grande medida, essa pluralidade cultural deve ser a base de nossa tolerância ao outro e ao diverso.
Temos clareza das dificuldades que atravessamos em nosso país. Uma profunda crise econômica e ética de governos que não cuidaram dos fundamentos macroeconômicos com a necessária responsabilidade, produziram um ambiente nefasto para nossa economia e para a política, que requer temperança e ousadia, e de apoio à Lava-Jato para superá-la.
Como parlamentar com quase 40 anos de exercício de mandatos, sei da necessidade do diálogo como forma privilegiada para enfrentarmos as divergências, elemento fundamental para o fortalecimento da democracia. Para superarmos os dissensos, sem nenhum tipo de “revanchismo”, é fundamental trabalharmos na construção de consensos, privilegiando a discussão coletiva dos órgãos colegiados que compõem a pasta. O diálogo vai ser essencial para integrarmos todos os agentes culturais, qualquer que seja sua contribuição específica, no processo permanente da ação cultural, tendo como vetor fundamental o respeito à nossa diversidade como povo e Nação.
Sou legatário de uma tradição que tem base no trabalho intelectual e no trabalho de artistas da estatura de um Jorge Amado, Graciliano Ramos, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Dias Gomes, Oduvaldo Viana Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Ferreira Gullar, e outros tantos cujas obras fundaram em nosso país o período da modernidade sintonizada com as vanguardas mundiais. Tal tradição com vocação nacional, mas sem esquecer seu pertencimento à linhagem comum da humanidade, tem no respeito ao diverso sua contribuição decisiva para a construção do ser brasileiro.
Venho juntar-me aos ministros que me antecederam e notabilizaram com suas ideias e equipes contribuições fundamentais para a modernização da pasta, incentivo à nossa indústria cultural, integração das várias regiões que formam o país, e a busca incessante por garantir maior acessibilidade à produção cultural para usufruto do nosso povo.
Nosso compromisso é com o contínuo processo de reforma do Ministério, de seus instrumentos e políticas para tornar mais eficiente e transparente nossas ações. Racionalidade na gestão para integrar os trabalhos da pasta, tendo com fim a satisfação da demanda de bens culturais da sociedade. Exatamente por ter uma compreensão da Cultura como elemento central de identidade, de reflexão e mesmo de entretenimento, buscaremos tornar a pasta elemento de inclusão social por meio do incentivo e da ampliação do acesso aos bens culturais. Isso fortalecerá a Cultura, importante elemento de desenvolvimento econômico, por conta de sua amplitude e ramificação em diferentes aspectos da economia nacional.
Finalmente, sinto-me honrado com a confiança do presidente Michel Temer em designar-me como dirigente de pasta tão sensível, justamente por trabalhar a sensibilidade como matéria- prima da arte e elemento distintivo da Cultura, seja em sua produção, como em sua transmissão também.
Sabemos da importância e das dificuldades da tarefa posta. Mas tenho a certeza de que contarei com a boa vontade de todos os que trabalham na área, pois todos nós temos um objetivo comum, a Cultura como móvel fundamental da formação do ser e da nossa nação, para avançarmos o processo democrático e sermos contemporâneos do futuro.
Muito obrigado!
Roberto Freire
Ministro da Cultura

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