Gazette

Sua referência em notícias culturais

Caboclinho conquista título de Patrimônio Cultural do Brasil Caboclinho conquista título de Patrimônio Cultural do Brasil
Uma performance artística que reúne elementos de dança e música, apresentando narrativas de guerreiros e heróis. A manifestação cultural dos grupos de Caboclos –... Caboclinho conquista título de Patrimônio Cultural do Brasil

Uma performance artística que reúne elementos de dança e música, apresentando narrativas de guerreiros e heróis. A manifestação cultural dos grupos de Caboclos – ou Caboclinho – é capaz de conectar a vida cotidiana ao elemento mítico do caboclo brasileiro.

Na manhã desta quinta, a prática conquistou um importante reconhecimento: o título de Patrimônio Cultural do Brasil. Ele foi concedido pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em Brasília. O conselho é presidido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A manifestação, presente na Região Metropolitana de Recife e na Zona da Mata Norte de Pernambuco, é conhecida principalmente por suas atividades no carnaval pernambucano. Datada desde o final do século XIX, a prática é marcada por uma forte presença religiosa afro-indígena-brasileiras, ancorada no culto à Jurema, com entidades espirituais denominadas Caboclos. Os instrumentos musicais são outra singularidade da expressão cultural, sendo o Caracaxá e a Preaca, por exemplo, exclusivos dos Caboclinhos.
A prática foi registrada por unanimidade entre os integrantes do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. “Essa manifestação é muito singular, representa uma síntese das três etnias formadoras da identidade brasileira”, afirmou Kátia Bogéa, presidente do Iphan. “Esse título exigiu uma pesquisa extensa e complexa. E a política do patrimônio imaterial traz a nós (governo) a responsabilidade de salvaguarda”, completou.
Representantes da manifestação presentes à reunião comemoraram. “Estamos todos muito felizes. Para mim foi um grande reconhecimento, que valoriza o caboclinho pernambucano”, contou Paulo Sérgio dos Santos Pereira, presidente do Caboclinho 7 flexas. O presidente da Associação Carnavalesca dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco, Erivaldo Francisco de Oliveira, festejou o respaldo do poder público: “Foi uma vitória. É um título importante e a associação se sente contemplada e agradecida pelo poder público ter essa preocupação”.

Bens tombados

Os prédios das antigas Docas Dom Pedro II (acima) e do Instituto de Resseguros do Brasil foram tombados pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural (Fotos: Divulgação Iphan)

Além do caboclinho, o Conselho Consultivo tombou quatro edificações da capital fluminense: o edifício do Armazém Central das antigas Docas Dom Pedro II, o antigo prédio do Supremo Tribunal Federal, o edifício do Instituto de Resseguros do Brasil e o Lampião localizado no Largo da Lapa.

O edifício do Armazém Central fica localizado em frente à área do Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos – então escravizados – nas Américas.  A região, atualmente conhecida como “Pequena África”, é espaço simbólico para a comunidade afrodescendente que, após a realização de pesquisas arqueológicas, converteu o local em símbolo da luta pela afirmação de sua identidade e de sua história. “Esse edifício é único, foi projeto do engenheiro André Rebouças, negro, que o construiu no Império sem mão de obra escrava”, lembra Kátia Bogéa.
O prédio do Supremo Tribunal Federal, do período colonial, foi palco de julgamentos históricos, como o banimento da Família Real, o habeas-corpus de Olga Benário Prestes e o mandado de segurança em favor de Café Filho, quando se viu impedido de assumir a Presidência da República. Foi construído entre 1905 e 1909.
Já o edifício do Instituto de Resseguros do Brasil, criado em 1939 com o objetivo de acabar com o domínio das seguradoras estrangeiras, já havia sido reconhecido pelo Royal Institute of Britsh Architects (RIBA) como uma das vinte melhores obras da época. O edifício foi projetado pelos irmãos M.M.M. Roberto (Marcelo, Milton e Maurício) e construído em 1944: foi uma das primeiras obras do Brasil a empregar os chamados cinco pontos da arquitetura moderna criados por Le Corbusier (pilotis, janela em fita, estrutura independente, planta livre e terraço jardim).
Inaugurado em 1906, o lampião situado no Largo da Lapa tem importância histórica, sendo uma das últimas obras comandadas pelo ex-prefeito Pereira Passos no início do século XX. Seu tombamento complementa a proteção de diversos outros bens já tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na mesma região, como os Arcos da Lapa, a Igreja da Lapa do Desterro e o Passeio Público.

Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural

A instância conta com 23 conselheiros especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia, e 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan. É responsável por analisar os estudos apresentados no parecer e dossiê, aprovando ou negando o título de Patrimônio Cultural Brasileiro.
Neste ano, o Conselho avaliou favoravelmente para inserção na lista dos bens culturais protegidos três obras do arquiteto Oscar Niemeyer: a Passarela do Samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói (RJ) e o Conjunto de edificações projetadas do Parque do Ibirapuera (SP). A Casa da Flor, construída em 1912 em São Pedro D’Aldeia, na Região dos Lagos (RJ), também ganhou a proteção federal. Já a Romaria de Carros de Boi da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade (GO) foi inscrito no Livro de Registro das Celebrações.
Foto da home do site: Sérgio Bernardo/PCR
Assessoria de Comunicação
Com informações do Iphan
Ministério da Cultura

admin

No comments so far.

Be first to leave comment below.

Your email address will not be published. Required fields are marked *