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Ministro prestigia lançamento de livro de Cristovam Buarque Ministro prestigia lançamento de livro de Cristovam Buarque
O ministro da Cultura, Roberto Freire, defendeu a premente necessidade de as sociedades repensarem seu “humanismo”, durante o lançamento do livro Mediterrâneos Invisíveis: os... Ministro prestigia lançamento de livro de Cristovam Buarque

O ministro da Cultura, Roberto Freire, defendeu a premente necessidade de as sociedades repensarem seu “humanismo”, durante o lançamento do livro Mediterrâneos Invisíveis: os muros que apartam ricos e pobres, do senador Cristovam Buarque (PPS-DF), ocorrido na noite desta segunda-feira (5), em Brasília. O livro se baseia na experiência de Cristovam nos campos de refugiados entre as cidades turcas de Istambul e Kilis, na fronteira com a Síria.

Concebido inicialmente como um artigo de jornal de no máximo 3 mil toques, os relatos ouvidos e observados pelo senador o levaram a estender o projeto para a elaboração de um livro. Mediterrâneos Invisíveis é o resultado, segundo Cristovam, de uma reflexão mais profunda acerca de um drama que ultrapassa os campos visitados na Síria. “Entendi que os refugiados não se restringiam a esse grupo que eu estava visitando, o universo de pessoas era muito maior. Hoje temos, praticamente, 6 bilhões de pessoas querendo sair da pobreza. Ao redor dos restaurantes e das escolas dos filhos da classe média alta tem um mediterrâneo. O mediterrâneo geográfico, que separa a Europa da África, é o visível. Porém, tem uma cortina ao redor de todo o planeta separando pobres e ricos”, alertou.

Contemporâneos de faculdade, ambos de Recife, Freire e Cristovam chegaram a militar juntos contra a ditadura. “Cristovam sempre foi brilhante, com uma capacidade ímpar de pensar o futuro, sendo muitas vezes utópico. Ele é capaz de ver algo que a maioria das pessoas não percebe. Mediterrâneos Invisíveis traduz exatamente isso, a tentativa de discutir o humanismo e a humanidade em zonas onde se tem sérios conflitos e, mais do que isso, em áreas nas quais se pode observar um dos efeitos desse processo chamado globalização”, afirmou o ministro da Cultura.

Na avaliação de Roberto Freire, a obra lançada propõe uma “reflexão necessária”. “O drama dos refugiados, o que ele viu nas fronteiras, guerra, violência e desumanidade, nos obriga a repensar o humanismo. Esse livro reflete a preocupação dele com todas essas questões e seria ótimo que todos pudessem ler e fazer as reflexões necessárias. A humanidade agradeceria”, elogiou.

Novo humanismo

“O humanismo está relacionado ao aumento do grau de liberdade e ao conhecimento por meio da educação”, Cristovam Buarque (Foto: Janine Moraes / Ascom-MinC)

Em seu livro, o senador Cristovam propõe a construção de um novo humanismo dentro de uma sociedade global. “Nesse humanismo não há espaço para a xenofobia, nem para o nacionalismo extremado. O humanismo está em toda a humanidade e deverá ser conquistado sem exclusão social. Ou seja, ninguém deve estar abaixo do piso social, sem comida, sem roupa, sem uma habitação digna com coleta de lixo e com rede de esgoto estruturadas”, defende.

Para o autor, o novo conceito pressupõe a existência de uma sociedade na qual ninguém esteja autorizado a consumir acima de um teto, nem muito menos ter o direito de destruir a natureza ou caçar animais como forma de entretenimento. “O novo humanismo precisa romper com a ideia de que o progresso significa o aumento do Produto Interno Bruto (PIB). O humanismo está relacionado ao aumento do grau de liberdade, à ampliação da participação das pessoas e ao conhecimento por meio da educação, não ao consumo”, declarou.

Cristovam estabelece um paralelo entre os diversos muros criados que separam ricos de pobres e propõe soluções. “Só há uma forma de destruir os nossos muros invisíveis: com educação igual para todos. A educação inclui a cultura. O humanismo socialista significava o capital nas mãos do trabalhador. Para mim, o novo humanismo inclui o filho do trabalhador estudando na mesma escola que o filho do patrão. Hoje o capital mudou, não é composto mais por máquinas, e sim, por conhecimento”, sugeriu.

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

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