Gazette

Sua referência em notícias culturais

Alunos do ‘Música e Cidadania’ mostram aprendizado em recitais na sala Ettore Bosio Alunos do ‘Música e Cidadania’ mostram aprendizado em recitais na sala Ettore Bosio
Na manhã chuvosa desta quinta-feira (15), os alunos dos 11 polos do Projeto Música e Cidadania, realizado pela Fundação e Instituto Carlos Gomes, em... Alunos do ‘Música e Cidadania’ mostram aprendizado em recitais na sala Ettore Bosio

Na manhã chuvosa desta quinta-feira (15), os alunos dos 11 polos do Projeto Música e Cidadania, realizado pela Fundação e Instituto Carlos Gomes, em parceria com entidades sociais da Região Metropolitana de Belém, iniciaram a programação de encerramento do ano letivo enchendo de música a sala Ettore Bosio.

O pianista Paulo José Campos de Melo, superintendente da Fundação Carlos Gomes (FCG), saudou estudantes e professores, ressaltando a importância da instituição, que completou 30 anos de atuação nas políticas de educação musical do Pará. “Somos referência no País em contribuir para formar instrumentistas e descobrir talentos na área musical”, frisou. O gestor garantiu que, apesar da crise econômica, já estão garantidos os recursos do projeto para o próximo ano.

Alunos de violão e flauta doce do Lions Clube Benevides, Jardim das Oliveiras, Associação Filantrópica Icuí Solidário (Afis), Lar Fabiano de Cristo e Grupo Sagrado Coração de Jesus interpretaram músicas conhecidas do repertório popular, como “O Sol” (Jota Quest), “Que país é esse?” (Legião Urbana), “La Belle de Jour” (Alceu Valença), ”Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e obras de Heitor Villa-Lobos.

Bianca Matos, 10 anos, aluna do polo Jardim das Oliveiras, criado este ano, fez sua primeira apresentação pública. “Quando eu soube que a Fundação Carlos Gomes ia ensinar música e flauta eu fiquei muito interessada em participar e aprender. O professor foi ensinando as músicas e as notas, e a gente descobriu que tinha notas de vários tipos e aprendendo mais coisas”, disse ela.

Descentralização – O cantor Reginaldo Viana, coordenador do Projeto Música e Cidadania, destacou o objetivo da iniciativa, que descentraliza o ensino da música na capital, e a importância dos recitais e do contato com o público. “É muito importante para esse aluno que vem de uma vulnerabilidade social ter essa visão de que pode ser protagonista, seja no palco ou na vida. Eles começam a compreender que a partir do momento que estão no palco, estão produzindo. E assim, eles podem avançar na música ou na vida pessoal, tomando conhecimento do valor de cada um”, ressaltou o coordenador.

Este ano, o projeto registrou avanços com a criação de mais dois polos, um no Centro de Defesa do Negro no Pará (Cedenpa) e outro no Jardim das Oliveiras. A FCG fornece os instrumentos, os profissionais, o material didático e faz o acompanhamento pedagógico. São 28 professores distribuídos por 11 polos.

O professor Matheus Martins começou a ministrar aulas este ano no Jardim das Oliveiras, e afirmou estar satisfeito com a evolução dos alunos em tão pouco tempo. “As aulas começaram em agosto, e o intuito é essa iniciação musical, já que lá a maioria dos alunos é leiga. Então, nós tivemos que começar do zero a teoria musical, com o auxílio da flauta doce. Foi uma surpresa para nós, pois mesmo com o curto espaço de tempo foi um avanço muito rápido, e a evolução que eles tiveram foi muito boa e gratificante”, avaliou.

Aprovação – Vinte e dois alunos do “Música e Cidadania” foram aprovados no Teste de Aptidão, para seleção de jovens concluintes da musicalização nos polos que desejam continuar estudando um instrumento musical. São futuros músicos, que poderão obter mais conhecimento nas salas de aula do Instituto Carlos Gomes em 2017. “O aluno vai para o polo com intuito de aprender e se aprofundar musicalmente, e a partir daí chegar até o IECG.  Isso ajuda o aluno a chegar ao Instituto com mais conhecimento musical, com tudo o que ele aprendeu no polo”, explicou Reginaldo Viana.

O projeto, que oferece o acesso à cidadania por meio da música, também garante uma ocupação para estudantes de bairros mais distantes. Mateus Rodrigues, 15 anos, é aluno do polo Icuí Solidário, em Ananindeua (município da Região Metropolitana). Ele contou que a música preencheu um tempo ocioso. “Antes de eu ingressar no projeto ficava muito sozinho em casa durante as tardes. Eu já tinha o interesse de aprender violão, e com o projeto eu pude ter essa oportunidade”, acrescentou.

O mesmo entusiasmo é demonstrado por Levi Souza, 10 anos, aluno de violão no mesmo polo. Levi disse que “há dois anos eu comecei a tocar violão, só que eu tive que parar. Este ano eu tive a oportunidade de ser aluno do projeto. Eu aprendi muita coisa, notas, cifras, ler partituras, tocar música e fazer dedilhado. Eu pretendo seguir tocando violão, pois é um instrumento que eu gosto muito”.

Na tarde desta quinta-feira (15) haverá apresentação dos alunos do polo da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência (APPD), uma parceria de oito anos com a FCG. A programação prossegue nesta sexta-feira (16), às 09 h, com o recital dos alunos dos polos Movimento de Emaús e Sociedade Beneficente Cristo Redentor.

Acesso – O Projeto Música e Cidadania é uma atividade de extensão da Fundação Carlos Gomes, realizada em parceria com escolas públicas, associações comunitárias e Organizações Não Governamentais (Ongs). Foi criado há 17 anos com o objetivo de descentralizar o ensino da música, fazendo com que mais pessoas tenham acesso ao conhecimento musical proporcionado pelo IECG.

Desde 2003, o projeto passou a integrar as ações do Programa Pro Paz, a fim de expandir o ensino musical e contribuir para a construção da cidadania de crianças, adolescentes, jovens e adultos de bairros periféricos de Belém.

Por Rosa Cardoso

Fonte: Agência Pará

admin

No comments so far.

Be first to leave comment below.

Your email address will not be published. Required fields are marked *